quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Too young to born

cara o chuveiro elétrico é uma onda de várias ondas
cara o chuveiro elétrico é a sensação de quando eu morava em minha mãe

é o xixi dela bem quente
aqui do meu ladinho
envolvente

é a porra do meu homem sem cheiro e gosto
(só prazer cara)

e é como se eu tivesse semanas
e a única coisa a se fazer fosse sentir
oh yeah...

e viver e morrer fosse uma coisa só
separada apenas por um útero

e aristóteles estivesse chorando por uma catarse

too young to die

Licença a Descartes

pensei e
logo existí
cheguei à conclusão
de que amar é querer ficar

...

descobri que fico
e não quero ir embora
logo pensei
e existo
te amando

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Na hora do adeus ou dogville

a grama grande balança no ritmo imposto pelo vento. câmera sobe lentamente e filma sapatos de bico arredondado, pernas, saia, um corpo completo: velha parada, close na boca aberta e nas mãos que seguram a cabeça, lenço azul-marinho em seu pescoço, blusa vermelha [o som é de vento, puro assim e forte]. árvores de pequena e de grande estatura, roupas penduradas no varau, mulheres correm tentando salvar a roupa pedindo ajuda, céu cinza.

corre no ritmo do vento até perceber outro lugar

três paredes, sendo a quarta uma porta simétrica à elas que não está. terracota é a cor da vez. várias pessoas, gritando, pedindo ajuda, paradas e amontoadas de um lado, no meio uma escada rolante, do outro caixas e caixas empilhadas. salve a criança, salve antes que... corre na escada que só descia, sobe e pula, as caixas caem, numa delas havia um bico de vidro que se partiu. você a matou! gritos e choros.

polvorosa acusações tentativas de linchamento até que

numa sala azul quase cinza as pessoas estavam dispostas em formação de roda, tochas de fogo possibilitam a iluminação, no meio o acusado. a culpa é dela nem quero saber. foi ela, eu vi quando sorriu pelo canto da boca. essa decisão é a mais acertada. tudo que eu queria era salvar a criança, tudo, juro. você não viu? você quebrou ela. você viu. você. mas era um bico. foi você, a criança. se cale.

ninguém que salve acontece assim às vezes

descobri que me tornei humano quando dormi, acordei sonhando, e não soube mais o que é realidade. camadas. alguém me tirou desse sonho e trouxe café da manhã quentinho.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Sobre bolo

, ou a valsa que se dança só até a meia-noite-e-meia.

sozinha sentou-se no bar
e imediatamente pegou a primeira cerveja
pra esperar que ele aparecesse

a música começou
gente conhecida
mas que nunca foi apresentada
ia e vinha

a segunda foi pra duvidar que ele chegasse

dois celulares no colo:
- posso não ouvir mas sinto quando vibrar;
ele só tinha um dos números
- mas talvez consiga com algum amigo em comum o outro, deve ser a operadora.

gente que já foi amiga te fazendo companhia

e a terceira pra recuperar a dignidade

chegar em casa e ter mais matéria pra se culpar
culpar ele
culpar o complexo de eletra
culpar a bolsa de valores por não estar favorável juntamente com a posição dos astros

e chorar uma lágrima em cada piscada
até dormir e sonhar e esquecer
e recuperar as veias

faz de conta que você tem sangue nos olhos e que isso aqui tem um ponto bem no final

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Primeira aparición de la mañana

... e foram tantos eu te amo
que o vento tratou de levá-los.
falhou,
pois levou-os só de um lado.
deixando o outro rouco,
torto e dolorido
até não poder mais...

vencendo-se o cansaço o que resta é só lembrança, dias de poucas chuvas no céu e dilúvios dentro de um corpo só

que pende, se fende, arranha, se estranha

a praia recorda que já chegou a hora de merendar sal grosso e o vento só carrega areia muito fina. o mar agradece a solidão de cada um - enquanto uma criança faz castelos de areia - só porque pra ele ser só-sozinho é mais triste, e logo cai a noite.

não demora muito ele não dorme. e só.

um beijo salgado nos olhos. os dois.